UM ECONOMISTA NA RETOMADA DA MINERAÇÃO CARAÍBA

3 de maio de 2017

Por Tébis Oliveira

Ele chegou à Mineração Caraíba em 2013, como CFO, motivado com a missão de criar uma nova governança nos setores financeiro e de controle da companhia e participar de grandes projetos como os de cobre em Vermelhos (BA) e Boa Esperança (PA) e o de ouro, em Nova Xavantina (MT). Em apenas dois anos, o economista Eduardo De Come, paulista de Santo André, via a empresa em uma situação até confortável apesar da queda dos preços do cobre no último trimestre de 2015 e da recessão econômica já avançado estágio no Brasil. A reestruturação financeira das dívidas junto aos credores havia sido concluída e o Projeto Vermelhos, fundamental par o futuro da mineradora, fora iniciado.

O ano de 2016 surgia, então, com um novo horizonte. Já em janeiro praticamente tornado invisível pelo maior aguaceiro já desabado sobre a pequena cidade baiana de Jaguarari. Tanta água podia ser motivo de regozijo na aridez secular da região. Para a Mineração Caraíba foi o dilúvio bíblico. A cheia do rio que margeia a empresa rompeu um dique de proteção e transformou um poço de ventilação em ralo gigante, com 3,5 m de diâmetro. Salvos os funcionários, o saldo de quatro dias de chuva ininterrupta foi uma coluna de água de cerca de 200 m (400 mil m3) no interior da mina subterrânea Morro do Pilar e 27 equipamentos submersos.

Com a produção limitada à mina Sussuarana, a céu aberto e de menor porte, o faturamento reduziu-se de R$ 35-40 milhões para R$ 6-7 milhões ao mês. Insuficiente para honrar o pagamento aos credores. Em junho, exaurido o minério, também essa mina parou. Somente em janeiro deste ano, praticamente um ano depois, a operação de Morro do Pilar seria retomada. Em fevereiro, a primeira nota fiscal do período faturava a venda de quase 2 mil t de concentrado de cobre à Paranapanema.

Nesta entrevista exclusiva a In the Mine, De Come relata como a Mineração Caraíba se manteve de portas abertas, sem demitir nenhum dos 1.180 funcionários e sem disponibilidade de aumento de capital. A aquisição pela canadense Eros Resources seria formalizada apenas em dezembro passado, após o cancelamento da recuperação judicial da empresa. Com ela, finalmente entra “dinheiro novo”, diz o economista: US$ 27 milhões. O executivo fala, ainda, da estratégia e investimentos previstos para este ano e das perspectivas otimistas para o mercado de cobre. Sobre a experiência, diz que foi “positiva e enriquecedora”. “Tendo o comprometimento dos funcionários, o apoio dos fornecedores e a confiança de investidores que enxergam o potencial da empresa, sabíamos que a solução era apenas uma questão de tempo”. Quem acreditou, vê hoje que ele estava certo.

Faça o download do pdf com a íntegra da entrevista publicada na edição 66 da In The Mine

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