Minegaleria UM MINERAL NA ÓPERA MOBILE

April 25th, 2017

 

Por Wilson Bigarelli



“La Donna” podia ser mobile (lia-se móbile), na Opera Rigoletto do século XIX, mas hoje toda a gente é ou quer ser mobile (lê-se agora “mobaio”). A donna era mobile, porque volúvel, inconstante, e a humanidade hoje se pretende mobile, para poder estar constantemente conectada, imaginando que as redes estarão estendidas por todos os cantos. Isso, é claro, enquanto durar a bateria do dispositivo móvel. Se faltar a carga, nada mais resta do que mobilizar-se por inteiro, desta vez em busca de uma velha e estática tomada, para fazer-se “mobaio” novamente.
Em fevereiro, cientistas da Universidade de Oulu, na Finlândia, divulgaram os resultados de uma pesquisa que pode por fim a essa agonia. A equipe chefiada pelo Dr. Yang Bai, da área de microeletrônica, descobriu um tipo de mineral perovskita com o qual é possível transformar a luz do sol, calor e movimento em energia elétrica.
A família perovskita é tão velha quanto o russo, o mineralogista Lev Perovsk, homenageado em 1839 por Gustav Rose, o descobridor nos Montes Urais, na Rússia, do óxido de cálcio e titânio, que ocorre na forma de cristais. Um clã que, com o tempo, tornou-se sinônimo dos minerais raros capazes de produzir energia a partir de algumas fontes. Em agosto do ano passado, por exemplo, uma equipe da Unicamp produziu pioneiramente células solares de perovskita.
A grande novidade em relação ao KBNNO como foi batizado, em referência à sua formulação, é que o material ferroelétrico dos finlandeses pode gerar eletricidade de várias fontes (luz, calor e movimento) ao mesmo tempo e ter sua estrutura modificada para potencializar essa ação. Não será, portanto, por excesso de nuvens, que alguém deixará de vivenciar o “mobaio”. A princípio, é só chacoalhar.

Faça aqui o download do pdf do texto publicado na edição 66 da revista In The Mine

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