REAJUSTES DA PETROBRAS DESBANCAM MINISTRO DE MINAS E ENERGIA

REAJUSTES DA PETROBRAS DESBANCAM MINISTRO DE MINAS E ENERGIA

Foram publicados no Diário Oficial da União (DOU) de 11/05, a exoneração “a pedido” do ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque e a nomeação do secretário especial de Assuntos Econômicos do Ministério da Economia, Adolfo Sashida (Foto). A substituição acontece na sequência das críticas mais recentes do presidente Jair Bolsonaro, feitas em sua já tradicional live, na quinta-feira passada (05/05), à política de preços da Petrobras, vinculada ao MME. Na transmissão em redes sociais, Bolsonaro classificou como “absurdo” e “estupro” o lucro da estatal, de R$ 44,56 bilhões líquidos no primeiro trimestre de 2022. Na segunda-feira passada (10/05), a empresa anunciou um novo reajuste de 8,87% no preço do diesel em suas refinarias.

A troca do titular do MME não terá qualquer efeito sobre os preços dos combustíveis – gasolina, diesel e gás – definidos pela Petrobras a partir da paridade com os preços praticados no mercado internacional. É mais um aceno do presidente da República à parcela da população que ainda o apoia no ano em que tentará sua reeleição ao cargo. Em lugar de estabelecer uma política pública para o setor de combustíveis, Bolsonaro humilha mais um integrante do alto escalão das Forças Armadas. No caso um almirante da Marinha que sempre se submeteu – e à pasta que comandava – aos vieses ideológicos do mandatário do governo federal.

Perfil do novo titular

Sashida é um bolsonarista raiz, que participou do desenvolvimento de um plano econômico para o ainda candidato Jair Bolsonaro, em 2018, quando Paulo Guedes nem era cogitado para assumir o Ministério da Economia. Funcionário de carreira do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), concursado no cargo de técnico de Planejamento e Pesquisa, o novo ministro de Minas e Energia é formado em Economia pela UnB (Universidade de Brasília), com pós-doutorado pela Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, tendo sido professor na Universidade do Texas. Também é graduado em Direito e autor de livros e artigos técnicos sobre política econômica, monetária, fiscal e tributária.

Em entrevista concedida a jornalistas em 4 de março passado, foi questionado sobre a política de preços da Petrobras e a hipótese, então cogitada no governo federal, de criação de um fundo estabilizador que atenuasse o impacto dos reajustes de preços de combustíveis no mercado brasileiro. “Se eu criar medidas que gerem receio sobre a consolidação fiscal, o risco país sobe, o real se desvaloriza, os combustíveis sobem. Começa com uma medida para reduzir o preço do combustível, mas é equivocada. Vai ter o resultado contrário. Entendo a demanda do Congresso e da sociedade, mas cabe a nós mostrar que elas não vão ter o resultado esperado”, considerou Sashida à época.

Crédito Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

 

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