PATO-MERGULHÃO SE REPRODUZ EM CATIVEIRO PELA PRIMEIRA VEZ NO MUNDO

9 de agosto de 2017

Acabaram de nascer em cativeiro quatro filhotes do pato-mergulhão (Mergusoctosetaceus). Essa é a primeira vez que esta espécie criticamente ameaçada de extinção se reproduz em cativeiro. Este feito inédito em todo mundo só foi possível graças ao esforço de uma equipe comprometida com o Plano de Ação Nacional para Conservação do Pato-Mergulhão (Mergusoctosetaceus), desenvolvido por técnicos do ICMBio (Instituto Chico Mendes) juntamente com as instituições Terra Brasilis, Naturatins, CerVivo, Museu de Zoologia da USP e a Reserva Conservacionista Piracema.

Os filhotes nasceram hoje no Zooparque Itatiba, o maior zoológico particular do Brasil e extremamente comprometido com projetos de Conservação de espécies raras e ameaçadas de extinção. O objetivo é reproduzir esses animais para uma futura reintrodução na natureza. “É um trabalho intenso, mas gratificante. Eu e a Paula Fabiana, meu braço direto na Maternidade do parque, ficamos dias de plantão para acompanhar o desenvolvimento do filhotinho dentro do ovo”, comenta Robert Frank Kooij, gerente geral do Zooparque, e um dos pioneiros na conservação de aves aquáticas no mundo.

Robert Kooij é holandês e vem de uma família apaixonada por aves aquáticas. Logo após o final da Segunda Guerra Mundial, o seu avôadquiriu terras no norte da Holanda. Desde então, esta família cria com sucesso 152 diferentes espécies de aves aquáticas. Esse foi o motivo pelo qual os técnicos envolvidos com a conservação do pato-mergulhão selecionaram o Zooparque Itatiba como local mais apropriado no Brasil para a Conservação e Reprodução do Pato-Mergulhão. “O Robert é um criador muito competente, e o Zooparque reúne as melhores condições para que o projeto tenha sucesso”, ressalta Luís Fábio Silveira, curador da seção de Aves do Museu de Zoologia da USP. Ainda, segundo Luís Fábio, o objetivo agora é aumentar ainda mais o número de patos nascidos em cativeiro, o que é recomendado por especialistas do ICMBio e também por especialistas em anatídeos de diversos países. “Isso é importante para não precisarmos mais buscar os ovos na natureza”.

A meta é manter 10 casais reprodutores, cujos filhotes posteriormente serão devolvidos para a natureza. “O Zoopaque faz parte do PAN- Plano de Ação Nacional para a Conservação do pato-mergulhão, com objetivo de assegurar a manutenção das populações e a distribuição geográfica do Mergusoctosetaceus, no médio e longo prazo, e também promover o aumento tanto do efetivo populacional quanto do número de populações” explica Robert.

As aves que hoje se reproduziram com sucesso são oriundas de ovos coletados n natureza. O manejo desta ave aquática rara não é nada fácil. O pato-mergulhão demora cerca de dois anos para atingir a maturidade sexual e é muito sensível. “Acompanhei de perto todo o processo de captura dos ovos em Patrocínio e na Serra da Canastra, em Minas Gerais, e no Jalapão, no Tocantins. Criar filhotes é sempre difícil, no entanto nosso esforço foi recompensado por esse ser primeiro nascimento do pato-mergulhão em cativeiro no mundo”, diz Alexandre Resende, veterinário responsável pelo protocolo de cativeiro da espécie e responsável técnico pelo Departamento Veterinário do Zooparque Itatiba.

O pato-mergulhão é uma das espécies de aves aquáticas mais raras do mundo, considerada criticamente em perigo de extinção em nível global segundo a União Mundial para a Natureza – IUCN. A população global é atualmente estimada em menos de 200 indivíduos. É encontrada apenas no Brasil, nas regiões da Serra da Canastra (MG), Patrocínio (MG), Chapada dos Veadeiros (GO) e no Jalapão (TO).

Essa espécie depende de águas limpas e transparentes, com corredeiras e vegetação nas margens, e com abundância de peixes, seu principal alimento. Ele captura os peixes ao mergulhar (daí a origem do nome), utilizando a visão e, por isso, é extremamente afetado pela degradação das águas. São considerados como excelentes indicadores de qualidade ambiental.

Ameaças**:

– Destruição de matas ciliares e consequente perda de árvores de maior porte, e a degradação das margens e dos leitos dos cursos d’água;

– Uso de pesticidas nas pastagens e lavouras, que são carregados para os cursos d’água;

– A mineração, que impacta diretamente os cursos d’água e, consequentemente, sua fauna associada;

– Construção de barragens, as quais modificam profundamente os ambientes aquáticos;

– Atividades esportivas mal-planejadas realizadas ao longo dos cursos d´água.

 

**Fonte: Instituto Terra Brasilis

 

 

 

 

 

 

 

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