O URÂNIO NO CAMINHO DE MARTE

4 de outubro de 2017

Por Wilson Bigarelli

Fotos: Nasa

A Nasa (agência especial norte-americana) fechou dia 3 de agosto um contrato de US$ 18 milhões e duração de três anos com a BMXT, fornecedora de combustível nuclear para a Marinha dos EUA, para desenvolver conceitos atualizados de propulsão térmica nuclear (NTP – Nuclear Thermal Propulsion) incluindo um motor de fissão nuclear e o seu combustível com urânio de baixo enriquecimento, o LEU (Low-Enriched Uranium), com menos de 20% de urânio fissível 235.

A chave para a evolução é o desenvolvimento de uma forma isotopicamente pura de tungstênio que, misturada com urânio, poderia ser usada para criar um combustível cerâmico (Cermet), que seria mais estável sob o tremendo calor criado pelo motor.

O engenho é fundamental para viabilizar a tão sonhada viagem tripulada ao Planeta Marte a partir de  2020. É uma retomada. A propulsão atômica chegou a ser cogitada pela Nasa entre 1955 e 1972, mas abandonada sem resultados viáveis. O máximo a que se chegou foi um foguete duas vezes mais eficiente que os químicos, com necessidade de urânio altamente enriquecido e de operar a temperaturas de 3.000 K (2.727 ° C, 4.940 ° F).

Avanços efetivos no Programa Espacial só ocorreram com as sondas, como as gêmeas Voyager, que completam agora em 2017 cinqüenta anos no espaço.

Mas aí o caso é outro: a energia elétrica é fornecida por geradores termoelétricos de radioisótopos, a chamada RTG (radioisotope thermoelectric generators). O combustível é o plutônio 238, subproduto do Plutônio-239, utilizado em armas nucleares, abundante entre as superpotências nos tempos da Guerra Fria e hoje, felizmente, bastante raro.

Além do que, sondas como a Voyager são do tamanho de um carro e seus três geradores forneciam à época de seu lançamento, em 1977, 30 volts e potência de um ferro de passar roupa (470 W).

O que se quer agora é levar astronautas à Marte, e mais além no futuro, com uma grande quantidade de carga, garantir a sua estadia lá e trazê-los de volta. É isso que promete o reator nuclear. E as expectativas e condicionantes já então colocadas no contrato assinado com a BMXT. O grau de enriquecimento do urânio, em nível universitário, já permite a realização de testes do combustível e do reator em instalações não nucleares e reduz o nível de regulamentações caso tivesse potencial bélico. Outra condição implícita, por questões de segurança, é que o reator só será acionado fora da órbita da Terra – o que, além do menor custo, é uma vantagem dos sistemas FPS (Fission Power Systems) em relação aos RTGs.

Com velocidade de escape e maior impulso, os motores atômicos podem transportar cargas mais pesadas e abreviar a viagem até o Planeta Vermelho, de seis para quatro meses, reduzindo a incidência à radiação a que estarão sujeitos os astronautas. Outro requisito: uma vez em Marte, o reator deverá funcionar como uma central típica para prover as necessidades do posto avançado.

Nos próximos meses, a NASA irá determinar se o motor LEU é viável e, nesse caso, terão início os testes e o processo de fabricação dos elementos de combustível.

Confira o vídeo:

http://bit.ly/2xaNZOc

 

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