O FUTURO TRÁS-OS-MONTES

22 de Janeiro de 2018

Por Wilson Bigarelli

Foto: Savannah Resources

Desde o início de 2017, Portugal está em sobressalto com uma riqueza inusitada, e extremamente oportuna, em seu subsolo. Em fevereiro, a australiana Dakota  Minerals revelou os resultados de uma campanha de sondagem realizada na região Norte, em Cepeda,Trás-os-Montes: jazidas com recursos estimados em 10,3 Mt, com teores de 1% de lítio e 0,05% de estanho. Nada menos que o maior depósito de lítio-césio-tântalo em pegmatito na Europa, segundo a Dakota. Tanto que já está em litígio.

A Dakota Minerals, que afirma ter investido cerca de US$ 1 milhão em pesquisa, está às turras, nos tribunais, com a Lusarecursos, detentora dos direitos minerais, até dezembro deste ano. No início, houve um acordo e surgiu a Lusidakota, mas agora há dois contendores em lados apostos: a Lusarecursos e a Novo Lítio, a mesma Dakota Minerals, com roupagem portuguesa. Mas, enfim, os recursos estão lá e está na mesa a proposta da Dakota de investir até US$ 400 milhões em uma planta de beneficiamento na região.

Em maio de 2017, os ingleses da Savannah Resources também desembarcaram na Boa Terra, não exatamente para fazer turismo. Arremataram 75% dos direitos de exploração da Mina do Barroso, também em Trás-os-Montes, do fundo australiano Slipstream.Os recursos inferidos na mina e seu entorno é da ordem de 14 Mt com  teor médio de 1% de lítio. Tanto em um caso como outro – e em muitos outros prospectos em andamento, sempre tendo em vista o lítio – há desafios a contornar: maior conhecimento geológico nas várias jazidas, rotas de processo de beneficiamento e a retomada de um setor que há muito tempo perdeu prioridade no país.

 

 

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