CONTROLE REMOTO EM DESMONTE SUBTERRÂNEO

2 de março de 2017
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Acompanhamento do desmonte acionado na superfície Fotos: Arquivo VM

Em outubro passado, testes inéditos na América Latina foram realizados na mina subterrânea de Morro Agudo, da Votorantim Metais Holding, em Paracatu (MG). Seu objetivo foi verificar a eficácia e conformidadede um processo de desmonte controlado remotamente, a partir da superfície, baseado em uma metodologia desenvolvida pela australiana Orica. O projeto empregou, pela primeira vez, o sistema de comunicação via rádio já existente na mina. Testes semelhantes, em outras mineradoras, haviam utilizado apenas sistemas de comunicação por fibra ótica.

“O resultado do teste foi 100% positivo demonstrando que a tecnologia da Orica se adequa muito bem àconfiguração atual da mina de Morro Agudo”, diz Victor Henrique Silva, gerente geral da unidade. Segundo ele, ainda, esse sistema de desmonte é específico para minerações subterrâneas, devido às extensões das galerias e à sua infraestrutura. “A solução poderá ser estendida para as minas de Vazante (MG) e Cerro Lindo (Peru), por exemplo. Para as minas a céu aberto, a tecnologia já é conhecida e a Mina de Ambrósia, também em Paracatu, que está em fase de pré-stripping, poderá utilizá-la em suas operações de desmonte”, explica Silva.

Em média, são realizados três desmontes por turno em Morro Agudo, totalizando 12 desmontes diários. Com o controle remoto da operação, a presença da equipe de carregamento de explosivos (blaster) será desnecessária, eliminando a periculosidade de sua exposição durante a detonação. Além da maior segurança operacional, a tecnologia possibilita um ganho relativo de tempo, diz o gerente, que era consumido no deslocamento das equipes de blaster durante o acionamento do desmonte.

Peculiaridades

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Victor Henrique Silva, gerente geral da unidade

A oportunidade de melhoria no processo de desmonte com explosivos da mina de Morro Agudo, conta Silva, foi identificada no final de 2015. No entanto, como os equipamentos utilizados no processo foram trazidos, por empréstimo, de Santiago, onde fica a divisão chilena da Orica, os testes de demonstração só puderam ser realizados em outubro.

A implantação do projeto está prevista para janeiro de 2017, após o dimensionamento e importação dos equipamentos próprios adquiridos pela Votorantim Metais.A escolha da Orica para a concepção do sistema de desmonte remoto considerou a expertise da empresa nesse segmento. “Hoje, a Orica é nossa principal parceira em Morro Agudo, no fornecimento de explosivos e em novas tecnologias de desmonte”, justifica o gerente.

O projeto foi desenvolvido considerando as peculiaridades operacionais da mina subterrânea, onde a escala de trabalho é dividida em quatro turnos de seis horas, totalizando 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. O primeiro turno se inicia às 0h e termina às 6h, quando deve ser concluída a evacuação de todos os empregados para que o desmonte seja efetuado com segurança.

Segundo Silva, feita a evacuação, o despacho da mina autoriza a equipe de blaster a iniciar o desmonte. O blaster precisa, então, se deslocar para todas as frentes de lavra e desenvolvimento, acendendo manualmente o estopim das cargas de explosivo. Como a detonação ocorre cerca de oito minutos após o acionamento da frente, a equipe deve se distanciar rapidamente, de forma a garantir sua segurança.

“Considerando que, são desmontadas de 3 a 4 frentes por turno, em média, e que a mina conta com 120 km de galerias, a equipe de blaster percorre grandes distâncias de deslocamento entre as frentes programadas para desmonte”, explica o gerente. Com a nova tecnologia, a expectativa também é diminuir os atrasos durante as trocas de turno e a descida dos funcionários para o interior da mina, aproveitando o tempo ganho na manutenção de equipamentos e na preparação de frentes de lavra, entre outras atividades.

desmonte1Em Morro Agudo, o desmonte remoto não trará ganhos de custos com consumo de explosivos, muito por conta de processos já implantados na unidade. “Essa mina possui uma razão de carga muito inferior à de outras mineradoras e um rendimento de fogo acima da média, sendo referência nas atividades de perfuração e desmonte”, explica Silva.

Desenvolvimento

Segundo Ricardo Massabki,engenheiro de Serviços Técnicos – UG, da Orica, o projeto desenvolvido para Morro agudo consiste de um sistema de programação e disparo de detonadores eletrônicos remotamente, através de uma conexão segura entre equipamentos específicos de programação em frentes de lavra, e de um controlador conectado a um computador em superfície.

No caso específico dessa unidade da Votorantim Metais, como
os equipamentos utilizam o sistema de comunicação de rádio da própria mina, alguns parâmetros de configuração tiveram de ser adequados para minimizar ruídos e maximizar a qualidade da transmissão de dados. “Criamos, por exemplo, um canal exclusivo para as frequências de programação dos detonadores, explica Massabki.

 Para isso, segundo o engenheiro de Desmonte da Orica, Francisco Biulchi, foram utilizadas caixas próximas às frentes de lavra, que programam os detonadores eletrônicos dessas frentes. “A caixa se comunica a um modem instalado na central de comunicação de rádio da mina que, por sua vez, se comunica com um aparelho em superfície, acoplado a um computador, onde um programa específico efetua os comandos de programação e disparo”, diz Biulchi. Com o envio do comando de queima, as caixas recebem os sinais de vibração dos desmontes e os remetem ao computador de superfície, confirmando que a frente foi iniciada com sucesso.

Nos testes realizados em outubro, as frentes foram carregadas da mesma formae com os mesmos materiais do processo manual anteriormente empregado. A única alteração foi a substituição do mantopim (estopim + espoleta) iniciador por um detonador eletrônico. Para Massabki, é possível, em futuros testes, realizar o carregamento integral com detonadores eletrônicos para obter ganhos adicionais, como a melhoria da fragmentação do material e a redução da vibração, por exemplo. Segundo Wesley Andrade, engenheiro trainee da Orica, não foi registrado nenhum erro de comunicação do sistema durante os testes.

Paula Cisternas, engenheira EBS da Orica, lembra que, além da segurança de todos os funcionários da mina estarem em superfície no momento do desmonte, o processo de iniciação pode ser efetuado de forma simultânea em diversas frentes de lavra, reduzindo drasticamente os tempos ociosos na troca dos turnos operativos.

 

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